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Limpeza e recuperação
de abrasivo no jateamento

Artigo técnico

Limpeza e recuperação de abrasivo no jateamento

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O sistema de limpeza e recuperação do abrasivo é um dos subsistemas mais decisivos do jateamento —tanto por turbina quanto por ar comprimido— e, ao mesmo tempo, um dos que menos atenção recebe. Sua regulação influencia diretamente os custos operacionais, a vida útil do equipamento e a qualidade final da peça.

Cuidar desse sistema é uma das melhores oportunidades para otimizar o processo: um abrasivo bem condicionado reduz o desgaste, melhora o acabamento e baixa o custo por superfície jateada. Este artigo explica o que o sistema faz, por que importa e como impacta no resultado.

O que faz um sistema de limpeza de abrasivo

Todo equipamento de jateamento que recircula o abrasivo —seja uma jateadora por turbina ou uma cabine por ar comprimido— precisa condicioná-lo entre ciclos. O abrasivo que circula dentro do equipamento se contamina e se degrada com o uso, e o sistema de limpeza cumpre duas funções fundamentais:

• Condicionar e limpar: recupera a granalha útil para reutilizá-la e descarta os contaminantes gerados durante o processo —poeira, carepa, granalha fina, areia, parafusos—. Também retira as partículas que, por seu tamanho reduzido, já não têm massa para impactar com energia suficiente e deixaram de contribuir para o jateamento.
• Armazenar: deposita o abrasivo limpo e recuperado em um silo, pronto para recarregar o equipamento.

Convém ter presente que esses sistemas não removem graxas nem óleos: por isso as superfícies devem ser limpas antes de jatear, para não contaminar o abrasivo.

Impacto na qualidade do revestimento

A limpeza do abrasivo não é apenas uma questão de custos: afeta diretamente a durabilidade do revestimento.
Quando os contaminantes finos não são retirados da mistura, ficam depositados entre os picos e vales do perfil de rugosidade da peça jateada. Ao aplicar a tinta, essa poeira fica presa entre o revestimento e o aço e reduz a aderência que ambas as superfícies deveriam ter. Se, além disso, o contaminante penetra na tinta, pode gerar células de corrosão no aço, aumentando a probabilidade de uma falha prematura do revestimento.

Impacto nos custos e no equipamento

O efeito sobre os custos é mensurável. Está comprovado que, no jateamento e no desareamento de peças fundidas, a presença de apenas 2 % de areia na granalha aumenta consideravelmente o desgaste das partes em relação ao mesmo processo com granalha livre de contaminantes. Os contaminantes grossos, além disso, podem danificar o bico de jateamento e até as peças que estão sendo processadas.

Um sistema de limpeza bem regulado permite:

• Manter os custos operacionais controlados.
• Obter peças jateadas livres de contaminantes.

• Manter perfis de rugosidade controlados.

Limpeza mecânica ou ciclônica, conforme o abrasivo

O tipo de limpeza é escolhido conforme o peso do abrasivo. Os abrasivos pesados —granalha de aço carbono ou inoxidável— são condicionados com sistemas de limpeza mecânica, que combinam peneiramento e fluxo de ar para separar finos e grossos. Os abrasivos leves —óxido de alumínio, microesfera de vidro— exigem limpeza ciclônica, que classifica o abrasivo sem danificar as partículas delicadas. Esse princípio rege a recirculação de qualquer equipamento, por turbina ou por ar comprimido; a capacidade, os modelos e os critérios de seleção são desenvolvidos na página de purificadores de abrasivo.

Conclusão técnica

O sistema de limpeza e recuperação do abrasivo não é um acessório, mas uma parte fundamental do processo de jateamento. Bem dimensionado e regulado, controla os custos, protege o equipamento e garante peças limpas com perfis de rugosidade estáveis, prontas para receber o revestimento. Subestimá-lo significa abrir mão de qualidade e deixar passar uma das vias mais claras para otimizar o processo.